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GLEB WATAGHIN*
Enrico Predazzi
Departamento de Física Teórica da Universidade de Turim

Gleb Vassielievich Wataghin nasce em Birsula (arredores de Cherson) na Ucrânia (Rússia) em 3 de novembro de 1899, numa família russa de origens nobres, culta e bem economicamente, formada, além do pai Vassily e da mãe Evgenia Gulianitzky, por três filhos e uma filha. O pai, engenheiro, era responsável pelas ferrovias imperiais do sul. Depois dos estudos no ginásio de Kiev, concluídos em 31 de maio de 1918, sabemos relativamente pouco sobre como, fugindo pela Crimeia, chegou a embarcar em um dos navios com o qual os aliados conseguiram levar a salvo algumas dezenas de milhares de refugiados, salvando-se em tempo do avanço da revolução, para chegar em Turim passando pela Grécia.

Sabemos que em 5 de julho de 1920 tem residência em Turim onde, trabalhando duramente, obtém em 17 de julho de 1922 a láurea em Física com 80/80 e louvor e, nem mesmo dois anos depois, em 14 de junho de 1924, obtém a láurea em Matemática com 100/100 e louvor. Os anos que seguem são anos ainda de trabalho duríssimo e de estudo intenso, durante os quais ensina na Academia Real e Escola de Aplicação, Artilharia e Inteligência1 (entre 1925 e 1933, primeiro Análise Matemática I e II e Física Experimental para Oficiais em Serviço Permanente Efetivo). Tem, também, contatos com a Politécnica e, no período de 1929 a 1934 é encarregado de Mecânica Racional (até 1933) e Física Superior no período 1933-34 na Universidade de Turim. A partir de 9 de maio de 1929 é cidadão italiano.

Em 1934, antecipando-se aos acontecimentos com uma antevisão que será uma característica de toda a sua vida (e que, como vimos acima, levou-o a deixar em tempo a Rússia antes que as fronteiras fossem definitivamente fechadas), tendo-se tornado, então, famoso internacionalmente e conhecido pelos melhores físicos teóricos e experimentais da época2, aceita o convite para tornar-se um dos primeiros catedráticos da nascente Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, núcleo da futura prestigiosa Universidade de São Paulo, no Brasil.

Wataghin, tendo chegado a um país tão diferente, seja da sua pátria de origem ou daquela de adoção, dedica-se ao titânico empreendimento de criar, do nada, estruturas acadêmicas adequadas, com aquele entusiasmo contagiante que não o abandonaria, nem mesmo na velhice e, que o distinguiria, não só nas suas múltiplas atividades institucionais, acadêmicas, administrativas e dirigentes, mas também naquelas mais simples e menos formais3.

Dentre os documentos da época (dos muitos pacotes que estão, atualmente, em fase de classificação e estudo na Universidade de São Paulo) encontramos uma nota em um jornal no qual se diz que Wataghin está voltando ao Brasil da Universidade de Sassari (onde obteve a catédra em 1939, para ser, depois, chamado para a cátedra de Física Teórica da Universidade de Pádua em 1941).
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*Artigo publicado no volume comemorativo aos 150 anos da Faculdade de Ciências de Turim. Tradução de M. L. T. Menon
1 Reale Accademia e Scuola di Aplicazione Artiglieria e Genio. (N.T.)
2 Entre estes recordo, ou por deles ter ouvido falar ou por tê-los conhecido diretamente, convidados por ele para seminários ou breves ciclos de aulas em Turim, Pauli, De Broglie, Dirac, Fierz, Gamow, Yukawa, Heisenberg, Schrödinger, Compton, Moeller, Bohr, Bogolubov, Ivanenko, Tamm, Dancoff e tantos outros.
3 Ainda nos anos 60, estando já na Itália há tempos, universalmente estimado, respeitado e amado por estudantes e colegas, quase sempre no final de uma longa jornada de trabalho, percorria a sala dos jovens físicos da época e levava-os para jogar ping-pong na Câmara do Trabalho, naquela época próxima à Cittadella onde se empenhava com ânsia para não se deixar vencer pelos rapazes trinta ou quarenta anos mais jovens que ele.

 

No Brasil, Wataghin chega com a tarefa específica de fazer decolar a parte científica de uma nova faculdade universitária e de criar ali, do nada, os laboratórios e todas as estruturas necessárias. Um empreedimento para o qual o termo usado anteriormente e que repito, titânico, parece apenas adequado (sobretudo se se conhece, mesmo que só um pouco, o atraso e, portanto, as dificuldades que deveriam entrepor-se à sua realização num país, na época, ainda mais que hoje, tão belo e ao mesmo tempo difícil).

Quando chega ao Brasil, Wataghin está no ápice da sua criatividade e no máximo vigor de vida. A sua riqueza são uma grande cultura científica, literária e lingüística e os melhores conhecimentos, sejam diretos e pessoais, sejam dos trabalhos dos maiores físicos do momento. Muitos deles, mais cedo ou mais tarde, visitarão o Brasil a seu convite, seja por razões ligadas diretamente à sua atividade (recordo, entre estes, Arthur Compton, Hideki Yukawa, David Bohm), seja em conseqüência da mesma (por exemplo, Richard Feymman e tantíssimos outros). Por outro lado, Wataghin leva ao Brasil muitos outros físicos com encargos a longo prazo, primeiro entre todos Giuseppe Occhialini (lembrado familiarmente na física italiana como Beppo), naquele tempo já famoso por ter fornecido, em 1933, junto a Blackett, uma confirmação da existência do elétron positivo (pósitron) do qual, pouco antes, Anderson havia anunciado a descoberta4.

Com a ajuda das suas relações, mas, principalmente, com a sua atividade vulcânica, a sua personalidade singular, entusiasta e entusiasmante, a sua carga de humanidade absolutamente excepcional, a sua visão otimista da existência e a sua extraordinária alegria de viver e capacidade de transmiti-la a todos aqueles com quem vivia em contato, Wataghin teve sucesso na empresa, provavelmente única na história da física moderna, de criar uma estrutura que formaria personalidades de altíssimo relevo e que se tornaria não somente a maior Universidade de toda a América do Sul, mas, ainda mais significativo, talvez a única daquele continente, por muito tempo, a ser competitiva na pesquisa científica mais avançada. Não é de se admirar portanto, se, quando quem escreve, tendo chegado para uma permanência bastante longa em São Paulo, num momento político particularmente escuro do Brasil, para tentar fazer renascer a pesquisa em física, destruída pelos militares daquele país, não só descobriu uma dimensão nova de Wataghin, considerado então (como agora) o pai da física moderna no Brasil, mas, na sua tentativa de relançá-la teve a tarefa extremamente simplificada pelas profundas raízes científicas deixadas por Wataghin há mais de trinta anos antes.

Assim também não é de se admirar o fato de que, ainda hoje, há mais de 65 anos da semente feita germinar e crescer por Wataghin, a Física de Raios Cósmicos seja extremamente florescente no Brasil. Na época da sua estadia no Brasil, de fato, Wataghin era um dos pioneiros da Física de Raios Cósmicos que a considerava, justamente, particularmente adequada à geografia e à situação social do país, onde teria sido muito difícil criar outras estruturas da física experimental de partículas. Esta física, retomada e revigorada pela colaboração (entre outros), justamente com o grupo de raios cósmicos que o próprio Wataghin, tendo voltado para a Itália, fundaria em Turim, permanece até hoje uma das mais ativas e válidas atividades de pesquisa em toda a América do Sul.

Recordar os nomes de todos os físicos brasileiros que direta ou indiretamente foram formados pela escola de Wataghin seria realmente impossível, motivo pelo qual me limitarei a recordar somente alguns deles. Começarei com César Lattes (descendente de turinenses emigrados para Curitiba) a cujo nome está associada a descoberta, em 1947, do méson p ou píon (isto é, da partícula postulada por Yukawa, em 1935, como mediadora das interações fortes) e que, por muitos anos foi o motor da grande colaboração internacional para o estudo de raios cósmicos, localizada em Chacaltaya, nos Andes, e à qual tanta contribuição deu o acima lembrado grupo de Raios Cósmicos dirigido por Carlo Castagnoli da Universidade de Turim. Personalidade até hoje muito lúcida e fascinante (e não sempre cômoda), Lattes é um gigante da física que se comove raramente, mas sempre quando se fala de Wataghin.
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4 Occhialini, em 1947, assinará também o trabalho sobre a descoberta do píon junto a Lattes, de quem falaremos mais adiante.

 

Um outro nome que não posso deixar de assinalar é aquele de Mário Schenberg, uma personalidade também esta totalmente excepcional; tanto, talvez, no desenvolvimento da física teórica, quanto foi aquela de Lattes na física experimental, e a quem devemos, entre outras coisas, o famoso processo URCA sobre a combustão nuclear no sol. Mas não posso deixar de lembrar ao menos alguns outros nomes, entre os quais os primeiríssimos colaboradores de Wataghin no Brasil, que foram formados sob a sua orientação direta, por exemplo Marcelo Damy e Paulus Aulus Pompeia ou, muito mais jovem, Oscar Sala que, em tempos mais recentes, construiu em São Paulo aquele que até hoje é o maior acelerador nuclear da América do Sul, o Pelletron (um Van de Graaff do tipo chamado tandem de 15 MeV).

Mas a obra de Wataghin no Brasil é vista, talvez, na sua exata amplitude, somente se se considera o quanto tenha sido profícuo ter feito nascer ali uma escola de física de todo o respeito, com um grande número de pesquisadores que são formados nestes anos (entre estes recordamos também, algumas jovens físicas, a primeira delas, em 1937, é Yolande Monteaux). Para a escola de física que dará brilho ao Brasil e ao seu mestre, limito-me a recordar os nomes de Leite Lopes, Jayme Tiomno, Roberto Salmeron, Jean Meyer, Samuel MacDowell, Moises Nussenzweig, André Swieca, até os mais jovens como Alberto Santoro e tantos e tantos outros. Como se vê, todos nomes (e muitos poderiam ser acrescentados) da mais alta qualificação.

Talvez a medida mais preciosa da consideração que se tinha com relação ao papel de Wataghin no Brasil, possa ser vista no fato de, quando ele não só ainda estava vivo, mas cientificamente muito ativo, a nascente Universidade de Campinas (hoje uma das maiores do Brasil), entre os anos 60 e 70, dar ao seu instituto o nome de Gleb Wataghin e, até hoje, recordá-lo numa excelente escola de fenomenologia da física hadrônica que a cada dois anos é realizada em tal instituto.

Em 1949, terminada a guerra e iniciado o renascimento cultural italiano, Wataghin retorna à Italia nomeado professor da Universidade de Turim na cátedra que tinha sido de Pochettino, onde permaneceria pelo resto da sua vida e onde derramaria a mesma energia e o mesmo entusiasmo contagioso com o qual havia criado, do nada, a física brasileira e formado, junto com Romolo Deaglio e, pouco depois, Mario Verde, um trio que levaria a física turinense a tornar-se uma escola de primeiríssima ordem, conhecida e valorizada no mundo inteiro. Quem escreve recorda quando um dia, ainda estudante de liceu, teve a aventura de conhecê-lo no início dos anos 50 (quando ele havia retornado, há pouco, para a Itália) na casa do então Presidente do CNR5, o grande Gustavo Colonnetti que, pouco depois, criaria uma das mais extraordinárias instituições científicas italianas, o Istituto Nazionale di Fisica Nucleare ou INFN com um decreto presidencial do CNR. Naquela ocasião, quando lhe foi pedido para explicar a alguns alunos do liceu (clássico!) o que seriam as equações de Maxwell, Wataghin se exibiu em uma de suas apaixonantes aulas improvisadas de física. Esta teve como efeito aquele de persuadir uma boa parte dos alunos que o escutavam a inscrever-se em Física, uma vez chegados à Universidade.

Na fase turinense da sua carreira de professor universitário, Wataghin, em uma colaboração inigualável com o já lembrado Romolo Deaglio e Mario Verde, não somente conseguiu criar novamente, quase do nada, uma escola de alto valor científico de física experimental e teórica mas, também, equipá-la com instrumentos apropriados de pesquisa, primeiro um bétatron de 30 MeV (em 1954) e depois um síncrotron de 100 MeV construído pela Brown Boveri, na Suíça, que foi utilizado até há alguns anos atrás, quando o laboratório instalado nos porões do Instituto de Física, foi fechado depois de quase 40 anos de intensa e frutífera atividade científica. Wataghin, como bom físico teórico, tinha aprendido através dos grandes físicos do passado (e do presente), a partir de Galileo, que a física é uma ciência desde que possam ser verificadas experimentalmente suas previsões teóricas. Como conseqüência, ele se considerava ao mesmo tempo um físico experimental e teórico.
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5 CNR: Consiglio Nazionale di Ricerca (N.T.)

 

Membro da Academia de Ciências de Turim desde 1950, em 1951 recebeu o prestigioso prêmio Feltrinelli, data na qual também já era membro da famosa Accademia dei Lincei6. Com este propósito, vale a pena transcrever do relatório apresentado por Edoardo Amaldi para a entrega do prêmio e publicado no resumo do Relatório da Reunião Solene de 7 de junho de 1951, algumas frases ilustrativas: "Dentre as múltiplas atividades, sempre criativas e de vanguarda, que Wataghin desenvolve há cerca de trinta anos no campo da Física Teórica e Experimental, a Comissão considerou como predominante e digna de primeiro plano, aquela relativa à previsão teórica e à descoberta experimental dos chuveiros penetrantes"... "Não há livro sobre Raios Cósmicos ou sobre a Física Nuclear, mesmo de caracter de divulgação, que não reserve um capítulo para os chuveiros de Wataghin"... "As idéias de Wataghin, no início consideradas pouco ortodoxas, foram depois aceitas nas linhas fundamentais, isto é, no conceito da produção múltipla, por Heisenberg e depois por Fermi nas suas teorias sobre a produção dos mésons, as quais depois de quase dez anos de distância dos primeiros trabalhos de Wataghin, tiveram também a possibilidade de se basear no conhecimento muito mais amplo dos fatos experimentais"7.

Wataghin deu muitíssimo à Universidade de Turim, seja com a sua atividade de mestre apaixonado e incansável, seja com a sua atividade administrativa e dirigente (por muito tempo foi Diretor do Instituto de Física e da Seção de Turim do INFN, Instituto Nacional de Física Nuclear), sendo até o último momento defensor muito atento dos interesses substanciais mas, também, formais da Universidade, motor propulsor em relação a qualquer forma de colaboração científica internacional, usufruindo do seu já lembrado conhecimento de personalidades prestigiosas da Física contemporânea (também com relação à sua pátria de origem, em meados dos anos 60, começa a restabelecer relações científicas defendendo, entre outras coisas, uma colaboração que daria frutos úteis por muitos e muitos anos após).

Todavia, a sua maior gloria, tenho certeza que ele concordaria comigo, foi, de um lado, a sua muito intensa e ampla produção científica, através da qual a sua extraordinária perspicácia tenha sido talvez o instrumento mais válido, e por outro, o grande número de excelentes físicos que se formaram sob a sua orientação, a começar nos anos 30 pelo saudoso Gian Carlo Wick, falecido recentemente ( que Wataghin me disse, uma vez, considerar o seu melhor aluno) continuando, logo depois de ter voltado do Brasil, com Sergio Fubini. Seria impossível analisar, mesmo que sumariamente, estes sucessos e relembrar todos os campos nos quais Wataghin contribui de modo importante, seja abrindo novos caminhos, seja refinando pesquisas iniciadas por outros. Seria igualmente impossível (e, talvez, nem mesmo muito útil) listar as centenas de publicações científicas da sua produção. Limitar-me-ei recordando algumas entre aquelas que considero as suas contribuições mais importantes para a física moderna, omitindo injustamente os seus numerosos trabalhos em Eletrodinâmica, Relatividade e Mecânica Quântica, todos estes campos que Wataghin teve a felicidade de ver nascer e se desenvolver e nos quais obteve importantes resultados e significativos reconhecimentos internacionais.
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6 Accademia dei Lincei: Academia fundada em Roma no século XVII, ainda existente, constituída por ilustres estudiosos de física, matemática, ciências naturais, história e filologia (N.T.).
7 "Dell’attività molteplice, sempre creatrice e di avanguardia, che il Wataghin svolge da un trentennio nel campo della Fisica teorica e sperimentale, la Comissione ha considerato come prevalente e degna di primo piano quella relativa alla previsione teorica ed alla scoperta sperimentale degli sciami penetranti"... "Non vi è libro sui raggi cosmici o sulla fisica nucleare, anche a carattere divulgativo, che non riserbi un capitolo per gli sciami di Wataghin"... "Le idee del Wataghin, dapprima considerate poco ortodosse, sono state in seguito accolte nelle linee fondamentali, e cioè nel concetto della produzione multipla, da Heisenberg e poi da Fermi nelle loro teorie sulla produzione dei mesoni, le quali, seguendo ad una decina di anni di distanza, i primi lavori di Wataghin, hanno avuto anche modo di basarsi sulla conscenza molto più estesa dei fatti sperimentali".
 

Para limitar-me, portanto, a alguns temas, gostaria de começar pela sua contribuição pioneira, já lembrada, ao estudo dos Raios Cósmicos e dos chuveiros penetrantes sobre os quais ele havia feito previsões muito antes dos cientistas aos quais é usualmente atribuído o mérito. Claro, encontrar-se longe do baricentro da Física nos anos iniciais destas pesquisas não deve ter contribuído para tornar os seus trabalhos conhecidos e apreciados o quanto teria sido justo. Para confirmar, todavia, o excepcional caráter de Wataghin, devo acrescentar que não me lembro, nunca, de tê-lo ouvido lamentar-se ou exprimir opiniões, senão elogiosas, em relação a quem provavelmente, sem culpa direta, havia sido reconhecido pelos méritos que deveriam ter sido seus.

Um segundo tema que não posso deixar de recordar é aquele que representou o seu maior interesse de pesquisa no período turinense e que nasce da sua intuição de que certas dificuldades da teoria de campos, que produzem infinitos nos cálculos de grandezas físicas, só poderiam provir de uma (então) inadequada conseqüência de como colocar o problema matematicamente. É exatamente esta consciência que motivou Wataghin a propor uma solução a tal problema utilizando propriedades físicas que ele considerava, de um lado, intuitivas, de outro, verificáveis experimentalmente. O enunciado, por parte de Wataghin, da sua Teoria não Local das Interações Fortes (que a física de hoje repropôs usando ferramentas muito mais poderosas) com o conseqüente uso de um comprimento fundamental nos Fatores de Forma, tem como maior limite a não total adequação das ferramentas propostas para resolver o problema mas, uma vez mais, revela a extraordinária perspicácia de Wataghin em identificar com intuição segura onde estava o problema físico.

Wataghin morre em 1986, em Turim, deixando uma grande saudade e ao mesmo tempo uma grande riqueza de lembranças muito vivas em todos aqueles que tiveram a sorte extraordinária de tê-lo conhecido, de amar a sua personalidade criativa e apreciar sua grande integridade moral e sua excepcional carga de humanidade.