|
Segunda-feira, 24 de janeiro
XVI Simpósio Nacional de Ensino de
Física
Encontro marca início brasileiro do Ano
Mundial da Física Especialistas nacionais e
estrangeiros debatem no Rio o ensino da Física e inauguram as comemorações
brasileiras do centenário da Teoria da Relatividade
Ricardo
Falzetta do Rio de
Janeiro
Começou hoje no Rio de
Janeiro o XVI Simpósio Nacional de Ensino de Física, promovido pela
Sociedade Brasileira de Física (SBF). O encontro marca o início das comemorações
brasileiras do Ano Mundial da Física, decretado pela ONU em homenagem aos
100 anos da Teoria da Relatividade. Até a próxima sexta-feira, os cerca de
2 mil inscritos, na sua maioria professores de Ciências e alunos de
graduação em Física, assistirão a conferências e mesas-redondas e
participarão de cursos e oficinas sobre os mais variados temas da
disciplina. O simpósio acontece no Centro Federal de Educação Tecnológica
(Cefet), no bairro da Tijuca,
Vai faltar
professor Para a professora e doutora
Deise Miranda Vianna, Secretária de Ensino da SBF, um dos temas centrais a
ser debatido nos próximos quatro dias é o déficit de professores de
Física, apontado nos recentes levantamentos feitos pelo Ministério da
Educação. “Os cursos de licenciatura não estão conseguindo segurar seus
alunos até o fim”, comenta a professora.
|
|
|
Primeiros cinco volumes de coleção lançada pela SBF:
ciência contemporânea para o
professor | Segundo ela, como a maioria
dos alunos precisa trabalhar logo que entram na faculdade, muitos acabam
não tendo condições de terminar o curso. “Há uma tremenda evasão, tenho
turmas de último ano com apenas quatro alunos, é muito pouco”,
declara.
Ainda segundo
Deise, um caminho para reverter esse quadro é a criação de um programa de
bolsa de estudos para esses alunos. Na quarta-feira, a professora Deise
vai coordenar uma mesa-redonda sobre o tema com representantes de
universidade federais de São Paulo, Pernambuco e Rio de Janeiro.
Outro destaque do
simpósio é o lançamento da coleção Temas Atuais de Física, coleção que
reunirá 50 livros destinados ao professor de Ciências. A edição pretende
cobrir os principais tópicos desse imenso campo de conhecimento que é a
ciência desenvolvida no século 20. A seleção dos
assuntos foi feita por uma comissão editorial de integrantes da SBF. Os
cinco primeiros volumes já estão à venda: Microondas, Supercondutividade,
A Luz, Aplicações da Física Quântica: do Transistor à Nanotecnologia e
Radiação Ultravioleta: Características e Efeitos (20 reais, cada volume,
Editora
Livraria da Física).
“Com
esse material, pretendemos dar um suporte ao professor de Ciências que se
sente despreparado para tratar de assuntos tão contemporâneos em sala de
aula”, explica Deise.
Se faltar professor, chame o
Carlinho
|
|
|
|
| Carlinho e a equipe da Oficina de Física da Uerj:
brinquedos de ensinar Ciências, como este, feito com elásticos,
palitos, garrafas pet e chumbinho de pesca, para ensinar
ressonância | Adelino Carlos Ferreira de
Souza, o Carlinho, era servente da Universidade Estadual do Rio de Janeiro
(Uerj), nos anos 1970. Certo dia, topou com um grupo de alunos de Ensino
Médio que visitavam o departamento de Física da Uerj em busca de ajuda
para uma feira de ciências da qual participariam. “Precisamos mostrar como
acontece um eclipse”, disseram os garotos. “Por que não procuram um
professor?”, respondeu Carlinho, que nunca tinha ouvido falar no tal
eclipse. “Já procuramos, mas não encontramos ninguém disposto a nos
ajudar”, devolveram os alunos. “Então deixa eu ver o livro de vocês e
tentar entender o que querem”.
Olhando para a
ilustração, Carlinho logo pensou em um modelo feito com três garrafas
pet de tamanhos diferentes, sustentadas por
palitos de churrasco. Em uma delas, instalou uma lâmpada. “Li também no
livro dos meninos que para simular o eclipse, era preciso uma sala
escura”, conta ele. Quando ficou pronto o modelo, Carlinho percebeu que a
habilidade com as mãos e a criatividade para bolar equipamentos com
material de baixo custo podiam ser usadas para fazer física. “Foi uma
mudança radical na minha vida, eu notei que podia ajudar as pessoas a
aprender”, conta Carlinho, que hoje é técnico em laboratório e coordena a
Oficina de Física da Uerj (tel. 2587-7733). O espaço é dedicado à formação
de professores e também recebe a visita de alunos do Ensino Fundamental e
Médio. No simpósio, Carlinho e sua
equipe agitam a área de exposição de painéis, mostrando aos visitantes
experimentos sobre magnetismo, densidade, ressonância e ótica, entre
outros. Todos feitos com material acessível e de baixo custo.
Mande um
e-mail para o autor desta reportagem
Volta |