Sociedade Brasileira de Física 

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Boletim [035/2009]

Erratum é artigo? (Wido Schreiner, Professor do Departamento de Física da UFPR / Marcos A. Avila, Professor Adjunto, UFABC)



Wido Schreiner , Professor do Departamento de Física da UFPR

O Currículo LATTES tem dado muito o que falar no Boletim da SBF.

Eu achava que já havia visto de tudo em matéria de LATTES, mas agora fui confrontado com uma novidade! Analisando o projeto e o currículo de um jovem pesquisador encontrei na lista de publicações entre os artigos um “Erratum” com DOI e tudo mais. Fui ver do que se tratava, e era apenas uma frase refraseada. Coisa menor que um resumo para congresso anual da SBF. Impulsionado pela curiosidade mórbida fui ver o currículo do orientador do jovem pesquisador, e estava lá o “Erratum” como artigo!

Se você se descuida e não presta muita atenção, cai como patinho!

Vamos combinar o seguinte: artigo errado + Erratum = artigo!

Isto na melhor das hipóteses, pois o artigo poderia continuar errado!

Um “Erratum”sozinho não existe e não tem vida própria.

É louvável corrigir um artigo errado. Demonstra seriedade no trato da ciência. Não deveria acontecer, mas acontece: cálculo errado, experimento falho, conclusão equivocada, revisão do artigo descuidada; tudo conspira! Em princípio é uma mácula que acompanha o pesquisador pela vida: nada a festejar!

Sei que a concorrência é feroz, e que de quando em vez um artigo a mais pode significar muito na vida das pessoas: um projeto aprovado, uma bolsa de pesquisa, um concurso vencido; mas tudo isto não justifica numerar um “Erratum” como artigo publicado.


Caro Prof. Schreiner,

Subscrevo-me à sua colocação, e posso dizer por experiência própria que a questão não se restringe ao Lattes. No ISI Web of Science - talvez a principal ferramenta de pesquisa bibliográfica e avaliação curricular da atualidade - autores que publicam um Erratum não só ganham mais um resultado nas suas listas de publicações, como ainda acrescentam uma citação ao seu artigo original!

Aconteceu comigo em Abril deste ano, quando um colaborador japonês publicou um artigo no Chem. Phys. Lett. e em seguida um Erratum de uma linha (a meu ver desnecessário até). Obviamente não acrescentei o Erratum ao meu Lattes, mas endosso seu alerta de que é preciso ficar atento pois, até mesmo por esta "validação" da respeitada Thomson Reuters, é bem possível que pesquisadores estejam considerando pertinente acrescentar Errata aos seus currículos como parte da sua produtividade.

Marcos A. Avila - Professor Adjunto, Centro de Ciencias Naturais e Humanas, Universidade Federal do ABC (UFABC)