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Prezado Prof. Camargo
Recentemente
o CNPq lançou o Programa Institutos do Milênio, o qual destina-se,
segundo palavras do próprio CNPq, a "promover a formaçao de redes de
pesquisa em todo o território nacional em busca da excelência
científica e tecnológica em qualquer área do conhecimento, assim como
em áreas priorizadas pelo Ministério da Ciência e Tecnologia".
Como
forma de garantir que um programa de tamanha excelência contasse com
uma coordenaçao compatível com excelência, ou seja, pesquisa de ponta,
o CNPq requer que o coordenador tenha "perfil de 1A".
Mas, qual
é o perfil de um pesquisador 1A? Para responder a esta pergunta, em
março deste ano reunimos dados de pesquisadores da área de física com
bolsa de produtividade em pesquisa. Utilizamos como padrao de medida o
mesmo usado pelo CA da física em sua última reuniao e o usado pelo CA
de economia (vide página http://www.cnpq.br/sobrecnpq/instanciasdecisorias/ca/ca-ce.htm) qual seja o número de artigos e número de estudantes orientados.
O estudo estatístico detalhado encontra-se na página (http://www.if.ufrgs.br/~arenzon/bolsa/)
e a distribuiçao do número de artigos para os diferentes níveis
encontra-se em anexo. Cabe ressaltar que este estudo baseia-se em dados
de março, portanto pequenas alteraçoes podem ter ocorrido. Além disso,
somente fizemos uma análise quantitativa dos artigos.
De
qualquer forma, o resultado mais surpreendente é que se levarmos em
conta publicaçoes e orientaçoes, nao existe um perfil definido de 1A na
área de física. Ainda mais chocante é o fato da produtividade feminina
no nível 1B ser altíssima o que caracteriza o efeito internacionalmente
conhecido como "glass ceiling".
Outro resultado interessante é o
aumento da produtividade do nordeste o que significa que a política de
açao afirmativa com relaçao à regiao tem surtido efeitos.
Por
fim, gostaríamos também de destacar a alta produtividade dos
pesquisadores no nível 2, levemente inferior no número total de
artigos, mas bastante acima na média de publicaçoes anuais. Este
resultado demonstra a alta qualidade destes pesquisadores, o que
justificaria a extensao da grant para todos os níveis.
Em
resumo, esta carta tem por objetivo chamar a atençao de que para o bom
desenvolvimento e avaliaçao de políticas científicas é imprenscindível
termos disponíveis estatísticas. Obviamente as estatísticas nao
substituem os comitês acessores ou as diretorias, mas dao subsídios
preciosos para determinar o que fazer e avaliar os resultados positivos
de políticas públicas.
Neste sentido, solicitamos que o CNPq
passe a realizar e publicar estatísticas nos moldes das que realizamos
para todas as áreas. Elas serao um instrumento importante de auto
avaliaçao para o CNPq, para as instituiçoes e para os pesquisadores.
cordialmente
Marcia Barbosa e Jeferson Arenzon Instituto de Física, UFRGS
PS:
Obviamente nao se define um pesquisador 1A somente pelos critérios de
números de artigos e doutores formados, mas esses sao critários
importantes e devem ser concomitantes com qualquer outro. Alám disso,
se estes nao sao suficientes, o que mais é? O comitê sabe? Se sabe,
quais sao?

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