Sociedade Brasileira de Física 

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  Boletim [007/2005]
  Sobre as bolsas de produtividade do CNPq (por Elcio Abdalla)

 

Sobre as Bolsas de Produtividade

Recentemente esteve reunido o CA do CNPq, para a discussao da renovaçao das Bolsas de Produtividade do CNPq, e vale a pena colocar alguns pontos, em especial, mas de fato nao somente, quanto à área de Partículas, Campos e Cosmologia.

Em primeiro lugar, comparaçao de diferentes áreas é uma questao de grande dificuldade. Areas mais matemáticas têm menor número de publicaçoes, e também menor número de citaçoes na literatura. O número de publicaçoes tem sido o principal divisor de águas na distribuiçao de bolsas do CNPq, embora nao seja o único, e se tenha levado em conta outros fatores, principalmente em relaçao às áreas de pesquisa que citei acima.

No entanto, maior dificuldade ainda tem se colocado nas grandes colaboraçoes, onde os Curricula sao, em grande maioria, muito parecidos, às vezes quase iguais. É muito difícil se distinguir a contribuiçao de cada pesquisador, e ao final, as promoçoes acabam por ser bastante prejudicadas. Leve-se em conta que há muita competiçao pelas bolsas e pelas promoçoes, apesar de termos tido um aumento do número de bolsas, nao havendo ainda, todavia, informaçao sobre o número de bolsas novas.

Há ainda um ponto que tem sido abandonado pela comunidade, que é o papel dos assessores ad hoc, cujo papel em geral deixa a desejar, já que as respostas sao (de modo geral) demasiadamente simples, nao havendo possibilidade, na reuniao, de se contemplar em mais detalhe quanto a um real critério de qualidade e de esforço individual de cada pesquisador, além do que já é feito. O trabalho do assessor nestes casos é fundamental, qualquer que seja a área em questao.

Foi-me pedido pelos colegas do Comitê, como conseqüência do exposto, uma especial atençao para se determinar os procedimentos de nossas áreas de pesquisa. Assim, sugeriria os seguintes procedimentos da comunidade em geral:

1. Quanto aos pesquisadores que pedirem renovaçao de bolsas, em especial aqueles que forem participantes de colaboraçoes envolvendo vários participantes (vários já no sentido de poli, mais de quatro) que tentem colocar de modo claro sua participaçao particular dentro do grupo, e a importância de seu trabalho. Uma carta do chefe da experiência seria bastante desejável, principalmente no caso dos pesquisadores mais jovens, para os quais este é um procedimento usual e que pode ser encarado com tranqüilidade.

2. Quanto aos assessores ad hoc, que façam um resumo circunstanciado do papel do pesquisador sendo analisado, com uma análise mais detalhada da qualidade do trabalho. Uma contagem de trabalhos já é feita no âmbito do CA, o que é, no caso do ad hoc, supérflua. A análise de qualidade nao pode ser feita exclusivamente pelo CA, em vista da enorme quantidade de processos, nao havendo possibilidade de tal em uma ou duas reunioes anuais. Em particular, poderia sugerir análises que levem em conta tanto o impacto dos resultados, como também, ainda no caso particular de grandes colaboraçoes, do papel do pesquisador.


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